Estados Unidos ultrapassam Catar em GNL após arranque de Plaquemines em 2026
Com a entrada em operação plena do terminal de Plaquemines da Venture Global, os EUA tornam-se o maior exportador mundial de gás natural liquefeito, com 95 milhões de toneladas anuais.
Os Estados Unidos vão consolidar-se em 2026 como o maior exportador mundial de gás natural liquefeito (GNL), ultrapassando o Catar, com a entrada em operação plena do terminal de Plaquemines, na Luisiana, propriedade da Venture Global LNG. A capacidade nominal combinada das instalações norte-americanas atingirá os 95 milhões de toneladas por ano (MTPA), contra cerca de 77 MTPA do gigante do Médio Oriente.
O terminal de Plaquemines, com capacidade de 20 MTPA na primeira fase e mais 20 MTPA na fase de expansão já aprovada, representa um investimento superior a 21 mil milhões de dólares. A Venture Global recorreu a uma arquitetura modular, com unidades pré-fabricadas de liquefação que reduziram significativamente os prazos de construção. A estratégia comercial assenta em contratos de longo prazo com clientes europeus, designadamente a alemã EnBW, a francesa EDF, a italiana Edison e a portuguesa Galp, embora esta última tenha contratos centrados sobretudo no Sabine Pass.
Para Portugal, o crescimento das exportações norte-americanas é particularmente relevante. O terminal de Sines, operado pela REN Atlântico, processou em 2025 mais de 70% de GNL com origem nos Estados Unidos, segundo dados da ENTSOG. Esta dependência substituiu, em larga medida, os fluxos provenientes da Argélia e da Nigéria, e tem permitido a Portugal posicionar-se como porta de entrada de GNL para a Península Ibérica e, indiretamente, para o resto da Europa via interconexão.
O Catar não fica, contudo, sem resposta. O projeto North Field Expansion, da QatarEnergy em parceria com a TotalEnergies, ExxonMobil, Shell e ConocoPhillips, irá acrescentar 48 MTPA entre 2026 e 2030, recolocando o emirado na liderança a partir de 2027 ou 2028, dependendo do calendário efetivo. A concorrência entre os dois gigantes deverá traduzir-se em preços mais competitivos para os importadores asiáticos e europeus.
A Comissão Europeia mantém, no entanto, uma postura ambivalente. Por um lado, reconhece a necessidade do GNL norte-americano para a segurança energética; por outro, exige garantias relativamente à intensidade de metano das cadeias de valor, no quadro do Regulamento do Metano aprovado em 2024. A Venture Global tem investido em monitorização por satélite e queimadores de alta eficiência para mitigar emissões fugitivas, mas vários carregamentos foram já alvo de escrutínio pela agência ambiental europeia.
Os preços spot no hub TTF, referência europeia, têm-se estabilizado em torno dos 32 a 38 euros por megawatt-hora, valor confortável face aos picos de 2022 mas ainda acima da média histórica pré-pandémica. Para o consumidor português, a maior disponibilidade de GNL norte-americano significa menor volatilidade nas tarifas de gás natural, embora a fatura final continue a refletir custos de regaseificação, transporte e impostos. O equilíbrio competitivo entre Henry Hub, TTF e JKM determinará a geografia dos fluxos no próximo ciclo.