OPEP+ prolonga cortes voluntários de 2,2 milhões de bpd até final de 2026
A aliança liderada pela Arábia Saudita e Rússia confirmou em Viena a manutenção dos cortes voluntários até dezembro de 2026, procurando sustentar o Brent acima dos 80 dólares por barril.
A OPEP+ anunciou, na reunião ministerial realizada em Viena, a prorrogação dos cortes voluntários de produção de 2,2 milhões de barris por dia (bpd) até ao final de 2026, numa decisão que surpreendeu o mercado pela extensão temporal. O ministro saudita Abdulaziz bin Salman classificou a medida como um sinal de "disciplina coletiva" perante o crescimento da oferta de produtores não pertencentes ao cartel, sobretudo Estados Unidos, Guiana e Brasil.
Os oito países que subscrevem o acordo voluntário, entre os quais a Arábia Saudita, a Rússia, o Iraque, os Emirados Árabes Unidos, o Cazaquistão e o Kuwait, deverão manter os contingentes atuais sem qualquer reposição faseada antes de 2027. O Brent reagiu com uma subida de 3,4% logo após o comunicado, fechando a sessão acima dos 82 dólares por barril, enquanto o WTI consolidou ganhos próximos dos 78 dólares.
A decisão reflete a preocupação do cartel com um eventual excedente estrutural em 2026. A Agência Internacional de Energia (AIE) projeta um crescimento da procura global de apenas 950 mil bpd no próximo ano, contra um acréscimo de oferta não-OPEP estimado em 1,4 milhões de bpd. Sem o prolongamento dos cortes, o mercado entraria em sobreoferta logo no segundo trimestre, segundo cálculos da Goldman Sachs e da Rystad Energy.
Para Portugal e para a União Europeia, a decisão consolida um cenário de preços do gasóleo e da gasolina relativamente estáveis, embora elevados face à paridade do euro. A Galp Energia, que mantém contratos de longo prazo com produtores do Golfo Pérsico, deverá beneficiar de margens de refinação robustas em Sines, sobretudo no segmento de destilados médios destinados ao mercado europeu. Já o consumidor português continuará a sentir o reflexo dos cortes nos preços nos postos de combustível, cujo valor médio se mantém acima de 1,70 euros por litro de gasóleo.
Existem, contudo, sinais de tensão interna no seio da aliança. Os Emirados Árabes Unidos pressionaram por uma revisão das suas quotas de base, alegando ter capacidade ociosa de mais de 1 milhão de bpd. O Cazaquistão, por seu lado, tem apresentado dificuldades em cumprir os limites acordados, com produção acima da quota em três dos últimos quatro meses, segundo dados secundários compilados pela Reuters.
A Rússia, apesar das sanções ocidentais, continua a apoiar formalmente os cortes, mas analistas do Centro Carnegie sublinham que Moscovo tem privilegiado o volume de receitas em detrimento do preço, vendendo crude Urals com desconto a refinarias na Índia e na China. A próxima reunião plenária da OPEP+ está agendada para junho de 2026, altura em que será avaliada uma possível reposição gradual da oferta. Até lá, o consenso entre traders é de que o Brent oscilará num intervalo entre 78 e 88 dólares, com a geopolítica do Médio Oriente como variável crítica.