Bacia do Permiano bate recordes de produção apesar da quebra no número de sondas
A produção na principal bacia de xisto norte-americana ultrapassou os 6,5 milhões de bpd com menos sondas ativas, evidenciando um salto de produtividade liderado pelas majors.
A Bacia do Permiano, situada no oeste do Texas e sudeste do Novo México, voltou a estabelecer um novo máximo histórico de produção, ultrapassando os 6,5 milhões de barris por dia em maio, segundo dados do Departamento de Energia dos Estados Unidos (EIA). O dado é tanto mais notável quanto o número de sondas ativas na região caiu para 295, o valor mais baixo desde 2021, conforme contagem semanal da Baker Hughes.
Este aparente paradoxo é explicado por ganhos de eficiência operacional. As companhias petrolíferas têm vindo a perfurar poços mais longos, com laterais médios superiores a 3.200 metros, e a recorrer a técnicas de fraturação simultânea (simul-frac) que reduzem o tempo de conclusão por poço em cerca de 30%. A ExxonMobil, após a aquisição da Pioneer Natural Resources por 65 mil milhões de dólares, sinalizou um aumento da produção combinada para 1,4 milhões de bpd na bacia até 2027.
A Chevron, segunda maior operadora da região, reportou também uma produção recorde de 950 mil bpd no último trimestre, com custos de produção (break-even) abaixo dos 35 dólares por barril em determinadas zonas do Midland Basin. A consolidação do setor, marcada pelas aquisições da Hess pela ConocoPhillips e da Endeavor pela Diamondback, transferiu áreas significativas das mãos de produtores independentes para majors com maior disciplina de capital.
Os analistas da Wood Mackenzie alertam, porém, para sinais de esgotamento qualitativo do inventário. As chamadas "Tier 1 acreages", isto é, as áreas mais produtivas, estão a ser perfuradas a um ritmo que poderá comprometer o crescimento futuro a partir de 2028. Em consequência, vários operadores começaram a explorar formações secundárias como a Bone Spring e a Wolfcamp D, com resultados mistos.
Para o mercado europeu, e em particular para Portugal, o vigor do Permiano significa fluxos crescentes de crude leve e doce (light sweet) através do Corpus Christi e do porto de Houston. A refinaria de Sines, operada pela Galp, tem importado pontualmente WTI Midland devido às vantagens de processamento face ao Brent, beneficiando do diferencial de preço que se manteve em torno dos 4 dólares por barril.
O cenário macroeconómico nos Estados Unidos também influencia o ritmo de investimento. A subida das taxas de juro pela Reserva Federal encareceu o financiamento dos produtores menores, ainda que as majors permaneçam imunes graças à sua geração de caixa robusta. A política energética da administração norte-americana, que mantém uma postura ambígua face às licenças de exportação de GNL, é outro fator a vigiar. No conjunto, o Permiano consolida-se como o pulmão de crescimento da oferta mundial, mas a questão de quanto tempo conseguirá manter este ritmo torna-se cada vez mais premente.