Permiano dos EUA atinge produção recorde mesmo com queda no número de sondas

Bacia texana ultrapassa 6,5 milhões de bpd com ganhos de eficiência operacional, perfuração de pocos mais longos e uso intensivo de inteligência artificial em geologia.

A bacia do Permiano, no oeste do Texas e no leste do Novo México, voltou a surpreender o mercado global ao registrar produção média de 6,52 milhões de barris por dia em maio, segundo o relatório Drilling Productivity Report do Departamento de Energia dos Estados Unidos (EIA). O dado representa novo recorde histórico e contradiz analistas que previam estagnação após dois trimestres consecutivos de queda no número de sondas ativas.

Segundo a Baker Hughes, o número de rigs em operação na bacia caiu para 295 unidades, ante 322 no mesmo período do ano passado, uma redução de 8,4%. Ainda assim, a produtividade por sonda subiu mais de 15%, impulsionada por poços horizontais que ultrapassam 4.500 metros de extensão lateral e pelo uso intensivo de algoritmos de inteligência artificial na escolha de zonas de perfuração no Wolfcamp e no Bone Spring.

Empresas como ExxonMobil, Chevron, Diamondback Energy e ConocoPhillips lideram o movimento de consolidação. Apenas a Exxon, após incorporar a Pioneer Natural Resources em uma operação de US$ 60 bilhões, controla cerca de 1,3 milhão de bpd na bacia. A Chevron, por sua vez, anunciou meta de produzir 1,1 milhão de bpd no Permiano até 2027, com aporte adicional de US$ 5 bilhões em fraturamento simultâneo, técnica conhecida como simul-frac.

O fenômeno tem reflexos diretos nos preços globais. Com a oferta americana mais resiliente, a OPEP+ enfrenta dificuldade para sustentar o Brent acima de US$ 85 e os fluxos de exportação saindo de Corpus Christi e Houston pressionam mercados tradicionais da Petrobras na Europa e na Ásia. O cru WTI Midland, referência da região, tornou-se ativo cada vez mais relevante no índice Dated Brent, alterando o equilíbrio de preços para o petróleo brasileiro do pré-sal.

Especialistas alertam, contudo, que a curva de declínio dos novos poços segue acentuada: cerca de 65% no primeiro ano e até 85% nos dois primeiros, segundo a Rystad Energy. Isso significa que sustentar o patamar atual exige perfuração contínua e investimento robusto em logística, sobretudo em gasodutos para escoar gás associado, hoje queimado em flares no Texas em volumes superiores a 280 milhões de pés cúbicos por dia.

O debate ambiental ganha força no Congresso americano e em órgãos como a Texas Railroad Commission, que estuda novas regras sobre emissões de metano. Para o Brasil, o avanço do Permiano serve de alerta: a competitividade do pré-sal, com lifting cost abaixo de US$ 6 por barril, segue invejável, mas a velocidade de inovação tecnológica do shale americano pressiona a Petrobras a acelerar projetos como Búzios 11 e Atapu 2 para preservar mercado e margens nas próximas duas décadas.

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