Petrobras supera 2,5 milhões de bpd no pré-sal e cimenta liderança brasileira
Produção dos campos do pré-sal atinge marca histórica puxada por Búzios, Tupi e Mero, reforçando o Brasil entre os cinco maiores produtores globais de petróleo.
A Petrobras anunciou nesta semana que a produção dos campos do pré-sal ultrapassou a marca histórica de 2,5 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em maio, consolidando o polígono como o ativo mais relevante da estatal e um dos principais motores do balanço de pagamentos brasileiro. O número representa cerca de 80% da produção total da companhia, que fechou o mês em 3,12 milhões de boed.
O campo de Búzios, na Bacia de Santos, manteve-se como a principal joia da coroa, contribuindo com mais de 920 mil bpd a partir das plataformas P-74, P-75, P-76, P-77, Almirante Barroso e Almirante Tamandaré. Tupi, ativo pioneiro do pré-sal descoberto em 2006, segue acima de 800 mil bpd, enquanto Mero, no compartilhamento com Shell, TotalEnergies e CNPC, já entrega cerca de 410 mil bpd com a entrada em operação do FPSO Marechal Duque de Caxias.
A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, afirmou que o marco confirma a maturidade tecnológica das operações em águas ultraprofundas e abre caminho para alcançar 3 milhões de bpd só no pré-sal até 2028. O plano estratégico 2025-2029, aprovado pelo conselho em novembro, prevê CAPEX de US$ 111 bilhões, com 73% destinados ao segmento de E&P e foco em revitalização do Parque das Baleias e desenvolvimento do projeto Equatorial.
Para a economia brasileira, o salto produtivo tem impacto direto na arrecadação. Royalties e participações especiais devem ultrapassar R$ 110 bilhões em 2026, segundo projeção da Agência Nacional do Petróleo (ANP), beneficiando estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, além do fundo social do pré-sal, que financia educação e saúde. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou que o Brasil se aproxima rapidamente da Arábia Saudita em volume de exportação de óleo cru, com embarques superiores a 1,8 milhão de bpd.
A geologia favorável do pré-sal — reservatórios carbonáticos sob espessas camadas de sal a até 7 mil metros de profundidade — combinada com inovações como o Hisep, sistema de separação submarina de gás carbônico, tem permitido reduzir custos de extração a níveis inferiores a US$ 6 por barril, comparáveis aos do Oriente Médio. O lifting cost médio da Petrobras no pré-sal caiu para US$ 5,7, ante US$ 7,2 em 2022.
Apesar do otimismo, desafios persistem. Atrasos em FPSOs construídos em estaleiros asiáticos, pressão ambiental sobre a exploração da Margem Equatorial e debates sobre o uso da renda petroleira para financiar a transição energética dominam a agenda. Sindicatos da categoria petroleira também alertam para a necessidade de ampliar conteúdo local, hoje em torno de 55%, garantindo que o boom do pré-sal se traduza em empregos e cadeia produtiva nacional robusta.