OPEP+ estende cortes voluntários de 2,2 milhões de bpd até o fim de 2026

Aliança liderada por Arábia Saudita e Rússia prolonga restrição de oferta para sustentar preços acima de US$ 80 o barril em meio à demanda incerta na China e à expansão do shale americano.

A OPEP+ confirmou neste fim de semana, em reunião virtual realizada em Viena, a extensão dos cortes voluntários de 2,2 milhões de barris por dia (bpd) até dezembro de 2026. A decisão, articulada principalmente entre Arábia Saudita e Rússia, busca dar sustentação ao mercado físico diante de um cenário de crescimento econômico morno na China e da resiliência inesperada da produção de xisto nos Estados Unidos.

O ministro saudita de Energia, príncipe Abdulaziz bin Salman, afirmou que a aliança está preparada para ajustar o ritmo de retorno gradual dos barris ao mercado conforme a evolução dos fundamentos. Pelo cronograma anterior, parte dos cortes começaria a ser revertida no quarto trimestre, mas analistas do Goldman Sachs e da Energy Aspects projetavam um superávit de oferta de até 800 mil bpd no segundo semestre caso a OPEP+ seguisse o plano original.

Para o Brasil, a decisão tem efeito ambíguo. Por um lado, sustenta os preços do Brent em patamares próximos a US$ 82 o barril, o que beneficia o caixa da Petrobras e a arrecadação de royalties dos estados produtores, em especial Rio de Janeiro e Espírito Santo. Por outro, mantém pressão sobre a paridade internacional dos combustíveis, dificultando reduções de preços na bomba em um ano marcado por debates fiscais e inflação de serviços ainda acima da meta.

O Iraque e o Cazaquistão, que historicamente excederam suas cotas, apresentaram novos planos de compensação ao secretariado da OPEP. A Rússia, por sua vez, comprometeu-se a aprofundar cortes nas exportações marítimas em 471 mil bpd, mantendo a estratégia de redirecionar volumes para Índia e China via frota sombra. O ministro Alexander Novak reiterou que Moscou prioriza a estabilidade do mercado mesmo diante das sanções ocidentais reforçadas no início do ano.

Operadores em Cushing e Roterdã reagiram com cautela: o spread entre o Brent e o WTI estreitou para US$ 3,40 logo após o anúncio, sinal de que parte do mercado já precificava a extensão. Bancos como JP Morgan e Citi revisaram para cima suas projeções de preço médio em 2026, agora entre US$ 78 e US$ 84 o barril, mas alertam que qualquer sinal de desaceleração industrial na China ou aceleração do Permiano pode obrigar a OPEP+ a estender novamente o esforço.

Internamente, o grupo enfrenta tensões. Emirados Árabes Unidos pressionam por uma cota maior, refletindo investimentos bilionários da Adnoc em capacidade ociosa, enquanto Angola já deixou o cartel em 2024. A próxima reunião ministerial está marcada para junho, quando o comitê técnico deverá avaliar se as metas voluntárias se transformarão em cortes obrigatórios formalizados no acordo de Declaração de Cooperação, peça central da governança do petróleo global na próxima década.

Nenhum comentário ainda

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário

Entre com sua conta Canverly para comentar. Você pode usar a mesma conta em qualquer site da rede.

Entrar com Canverly